
Em sua primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu novamente por manter a taxa Selic em 13,75%. Pelo quarto encontro consecutivo, a autoridade optou por não mexer nos juros. A decisão foi unânime.
Em 21 de setembro do ano passado, o Copom interrompeu um ciclo de 12 altas seguidas na Selic, iniciado em março de 2021.
Havia unanimidade entre analistas e economistas de que a taxa de juros seria mantida no atual patamar. Agora o mercado olha para o comunicado que acompanha a decisão, procurando saber como a autoridade monetária avalia os atuais riscos inflacionários e se houve mudança de tom no discurso sobre o assunto.
O texto começa citando temores de uma recessão global e a volatilidade dos ativos financeiros.
“O ambiente externo segue marcado pela perspectiva de crescimento global abaixo do potencial no próximo ano, alta volatilidade nos ativos financeiros e um ambiente inflacionário pressionado, embora com sinais mais positivos na margem”, diz o comunicado.
Mas o Copom também destaca que dados recentes de atividade global têm sido “relativamente resilientes”. Aponta ainda que o relaxamento de restrições sanitárias na economia chinesa “alivia a possibilidade de novas disrupções nas cadeias de suprimento globais”.
Sobre o cenário interno, o colegiado avalia que indicadores mais recentes continuam corroborando com e cenário de desaceleração esperado pelo BC.
Contudo, destaca que tanto a inflação ao consumidor quanto as diversas medidas de inflação subjacente continuam “acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta”.
Nos cenários de risco de elevação da inflação, o Copom cita a maior persistência das pressões inflacionárias globais e incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país.
